Através de um Espelho – Ingmar Bergman

Através de um Espelho - Ingmar Bergman

Estamos condenados a prisões individuais? Podemos criar um campo imaginário, como um jogo secreto, que nos afaste de tudo que lhe seja estranho? Através de um espelho é o primeiro filme de Bergman sobre a nomeada “trilogia do silêncio” que deu sequencia à Luz de Inverno e O Silêncio. A trilogia comporta temas que transitam entre a existência de Deus, o suicídio, a loucura e a dificuldade de expressar os sentimentos. Através de um espelho, de 1961, expõe personagens que internamente estão em conflito com o exterior. Um renomado escritor admite ter sacrificado sua convivência com a família para se dedicar a sua arte. A partir disso, percebe o quão emocionalmente frágeis estão seus filhos, principalmente a filha, que acaba de voltar de um tratamento psíquico e, pelo diagnóstico médico, adquiriu a mesma doença que matou sua mãe. Nesse drama, Bergman nos coloca frente a uma  série de mecanismos psíquicos de defesa entre os filhos e o pai, decorrentes da ausência de diálogo no ambiente familiar. Entre peças de teatro e conversas com Deus, as personagens descobrem a si mesmas e reconhecem a existência de círculos imaginários que são rompidos pela própria vida. E, como disse o escritor, “cada vez que a vida rompe esse círculo, os jogos secretos se tornam insignificantes e ridículos. E então são construídos novos círculos e novas defesas”. Em um momento único, a união da família promove a construção de novos círculos, assim como obriga a alguns a viverem a realidade. A fantasia, a arte e o amor estão presentes nesse “estudo” de Bergman sobre a psique humana.

Resenha de Ricardo Freitas Cavalcante

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