O ano letivo começou na rede de ensino do estado de São Paulo. Diferentemente do que afirmam o secretário da educação e o governador, nada mudou. Embora tenham distribuído novamente material escolar (kits), livros didáticos e apostilas, a escola e os alunos não receberam professores mais preparados e motivados, como mostram as propagandas.
A valorização dos professores pelo mérito é uma grande brincadeira – de mau gosto, claro. Nem todos puderam fazer a prova, e ela foi elaborada para que grande parte dos poucos que a fizeram não atingissem a pontuação exigida – e, se essa impossibilidade acontecesse, a secretaria recorreria ao critério segundo o qual o aumento do salário dos promovidos não deve ultrapassar os valores já previstos no orçamento. Ademais, é questionável essa avaliação, visto que não se pode medir a competência do trabalho de alguém a partir do acerto de questões. Nada garante que quem acertou menos desenvolveu trabalho pior do que quem acertou mais e vice-versa. Além disso, a prova para contratação de docentes (não-efetivos), que inicialmente impediria de lecionar os que não acertassem 50%, teve de ser reconsiderada, pois, se fizessem isso, teríamos muitas salas sem professor.
Para não ser injusto, devo dizer que a única diferença em relação ao ano anterior foi o caderno espiral capa dura que os estudantes receberam, digna de ano eleitoral. Mas continua sendo pouco para os 16 anos do PSDB no estado, para não dizer vergonhoso – lembre-se ainda que 8 deles sob a benção do presidente FHC. O que fizeram Covas, Alckmin e Serra pela educação?
O crescimento do número de matrículas, antes mesmo de o Paulo Renato ser ministro da educação, resultou no problema da falta de docentes. Faltaram licenciados, a exemplo de hoje, e muitos bancários, metalúrgicos, comerciários etc., que perdiam seus empregos devido à inconsistência das políticas econômicas do país – como aquela desastrosa da era Collor, para citar uma –, tiraram das gavetas seus empoeirados diplomas e passaram, sem a mínima vocação, a ensinar nas escolas da rede (ou começaram a ensinar antes mesmo de concluir o segundo ano da graduação).
Assim, temos os docentes que ficaram desempregados por causa da tecnologia e da informática, e agora tem que dominá-la prestes a pendurar o apagador; outros, em número menor, que gostavam de estudar e ensinar, mas que foram obrigados a acumular cargos nas redes municipal e estadual para atingir maiores vencimentos; alguns que conciliam a docência com outra atividade em empresas privadas; há também aqueles que vão parar na sala de aula sabe-se lá por que, nem mesmo eles sabem; finalmente, casos raros de pessoas talentosas que não seguirão no magistério por causa das péssimas condições de trabalho e da baixa remuneração.
Não é que faltarão professores no futuro. Há muito eles deixaram de existir.


Chego a pensar que cada um tem o que merece…AH, sei lá! Eta profissão viu?. abraço. otimo texto.
Sou professor do estado ha 5 anos. Voce sintetizou o que de fato acontece com a educação básica de São Paulo.