Pois é…ano novo.

1. Então, Marte é Marte, o homem guerreia, guerreia, para deixar de guerrear. O que seria da paz sem a guerra? Ao menos para nosso pensamento, porque para o nosso corpo é um desastre a guerra. 2010 começa no Brasil, em São Paulo mais especificamente, com chuvas, avalanches, mortes, emergência dos descuidos governamentais, clareza na falta de cuidado com que os novos predadores – especuladores imobilliários – tratam a vida. E, convenhamos, a ingenuidade dos que constróem ao rés de morros íngremes, ou no alto de morros instáveis. Que dizer?

2.  E tenho receio, tremo de horror, quando leio que o Brasil vive um instante financeiramente positivo para compras e vendas. Ai!!! As liquidações começaram, os compradores estão enlouquecidos desde o Natal e… fazem dívidas, dívidas. Depois, e sem qualquer previsão – previsibilidade é uma grande astúcia da razão, lembrem-se -, caem do cavalo. O que leva os homens ao sentimento de possuir muitas coisas? Se pensarmos nesse sentimento talvez a racionalidade agradecesse.

3. Neste meu estado de espírito, entre triste e esperançoso, tomo a liberdade de citar a vocês um trecho do livro de Werner Heisenberg, o físico e filósofo alemão, para um pouco de meditação. Não tenho muito o que falar neste início de 2010. Melhor esperar o início do ano astrológico, em março, para brincar um pouco quanto à forma de ler as coisas. Aí vai o trecho do livro de memórias de Heisenberg <A parte e o Todo >, relativo ao período pós primeira guerra mundial, ascensão do nazismo, segunda guerra mundial e a bomba atômica. Tendo passado por tudo isso, o físico mergulhava na teoria que o fascinava e, ao mesmo tempo, vivia todos os percalços da mudança política alemã e mundial.  Em 1956, sentia-se cansado, deprimido. Algo aprendera, no entanto, diz ele: 

          “… Se há uma  coisa  que aprendi com o desdobramentos destes últimos meses é isto: não se pode ser um  bom político e um bom cientista ao mesmo tempo. Nem poderia ser de outra maneira. O que importa nos dois é a dedicação integral; quialquer coisa que fique aquém disso não serve para nada. Portanto, é provável que eu me dedique exclusivamente à ciência mais uma vez.”

4. Depois disso, Heisenberg adoeceu gravemente, mas na medida em que melhorava sua saúde conseguiu estabelecer muitas conversas teóricas com Wolfgang Pauli, sobre o comportamento das partículas elementares, e com outros colegas sobre a bomba atômica e a necessária política do desarmamente atômico < exposta na carta dos ‘Dezoito de Göttingen’>. Voltara a unir sua vida.

5. Por que lembro de Heisenberg? Por vezes estamos cansados, tristes… mas aí está a vida acenando com todas as suas contradições. Heisenberg estudou com Heidegger e tentou unir Física e Filosofia. Mais ainda: antes dos 20 anos, por volta de 1920,  havia lido, sem entender muito bem, o diálogo Timeu, de Platão que não lhe saiu da cabeça. Em 1961-1965, já  maduro, escreve sobre a relação entre as partícuhjlas elementres e a filosofia platônica. O fluxo de suas idéias era intenso.

Deduzimos: as opiniões mudam diante dos acontecimentos, mas os sonhos de sempre  não podem ser abandonados.

Feliz 2010!

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