1. Todos queremos acreditar em… E nossa capacidade crítica não anda bem, como se sabe. No Jornal O Estado de SPaulo, uma jornalista que cobriu as eleições chilenas insistiu, o tempo todo, em falar num candidato de direita e outro de esquerda. Quem sabe nosso pensamento atual só se move assim, entre batalhas mal explicadas. Não há mais direita e esquerda, convenhamos. Inventem outros nomes. E não se trata, no Chile, de um partido chamado Concordação, mas Concordación, certo? Piñera não é de direita, Frei não é de esquerda (seguindo o sentido desses nomes cunhados há décadas, que não mais podem ser usados sem cuidadosa explicação ). Assim como não se diz que existiu uma figura inglesa chamada xurxil, por exemplo, mas Churchill, não é? E agora, vamos fazer a tradução para o portugues dos nomes estrangeiros? Mais uma paulada do jornalismo despreparado.
2. Bem que os deuses avisaram (vide um dos blogs anteriores) que esse filme sobre o Lula era inoportuno. O cineasta sofreu um acidente. Não roguei praga, não… não tenho poder algum. Evidentemente, se o cinema brasileiro fosse um pouco mais inteligente, procuraríamos, ó cineastas, temas pátrios menos repetitivos e que ensinassem, e não faltam. Dou de presente alguns poucos para vocês: Padre Cícero para os que gostam de falar dos nossos sertões; o estilo do incomparável Franceso Rosi, in memoriam, para os que gostam de trabalhar com poder, política e polícia – o caso Satiagraha e a cruz do juiz De Sanctis em todo assunto mafioso em que põe a mão; o palco iluminado para o Brasil, que é SLuiz do Maranhão e a familia Sarney; o caso Celso Daniel; Whyatt Hearp contra Daniel Dantas; Vicente Matheus do Brasil… etc., etc.
3.Mudando de ar, ventilando, o filme “Partida”, japones, é sutil, doce, difícil e trata a morte com dignidade. Bom assistir. E aproveitem nesses dias de confusão psicológica, sem claridade mínima, para reverem o “Infâmia”, de William Wyler, já em vídeo (filme dos anos 60 com Audrey Hepburn e Shirley Maclaine).
4. No mais, nesse preguiçoso e chuvoso janeiro, o Haiti, logo ali, o sr. Lula sarcozando (ou será sarcosizando), a Grécia quebrada, Dubai envolto em dívidas astronômicas que, fatalmente, os bancos europeus cobrirão e…. os brasileiros, aos montes, passeando na Europa e torcendo o nariz para a nova invasão bárbara que os europeus “sofrem” (indianos, africanos, mussulmanos do leste, paquistaneses, afegãos, e agora, por que não, haitianos.
Tudo o que é belo, não importa de que maneira, é belo por si, traz seu fim em si, e não há nada em si que provenha de louvores < Marco Aurélio, “A mim mesmo” (ou Pensamentos).

Bela reflexão. Quanto ao filme do Lula, fazem propaganda até durante as cenas dos episódios da novela da globo. Há muita coisa por trás de tudo isso…até quando o Brasil ficará só na aparência?
Continuando a reflexão que iniciei com a leitura do texto e complementei lendo o comentário acima – do Andrei – diria que o filme do Lula e as novelas da Globo têm o mesmo enredo, para não dizer a idêntica finalidade.
Olhem, Andrei e Luciano, eu fico “passada” com a falta de sutileza, quer do cineasta, quer da mídia e dos politiqueiros. Não encobrem nada… e colegas meus estão entrando nessa, e se pretendem intelectuais. Prá mim, intelectual tem que fazer julgamentos criteriosos e não partidários. Eu, hein… mas, estamos em decadência. Ciclo de ferro, como dizia Hesíodo. Abçs Rachel