Em artigo dedicado a desclassificar o filme Lula, filho do Brasil (Folha, 27/11, A8), César Benjamin narra a época em que esteve preso e apresenta amigos e desconhecidos que sofreram na ditadura. O texto é uma homenagem a essas pessoas, os “autênticos” filhos do Brasil que a história devia registrar. Entretanto, criticar o filme com o tributo foi apenas o preâmbulo do que o articulador queria contar. Segundo ele, Lula teria tentado estuprar um “menino do MEP” (Movimento Emancipatório do Proletariado) na cela em que ficou preso por 30 dias.
Pergunto: mesmo que seja verdadeira essa afirmação, por que só agora ele a revelou, depois de 15 anos? Sendo o autor colunista do jornal e editor, lugar para publicá-la não faltou. Fica parecendo uma (mal e rasteira!) estratégia para ofuscar a imagem do presidente cuja popularidade sobe a cada dia, justamente em tempos de ante-pré-campanha. Mais ainda, como é que a Folha publica um texto desses enquadrando-o talvez no que chamam de “opinião” (jornalistas, editores, ombudsman expliquem-me, por favor, o que significa isso)?
A infeliz redação de Benjamin ilustra o mal que assola a imprensa brasileira, apoiada na muleta “liberdade de expressão”. Essa pretensa liberdade, manca de responsabilidade, permite escrever e dizer qualquer absurdo. E isso não é marca exclusiva da mídia, mas da sociedade em que vivemos. O discurso é uma ação que deve ser valorada como moral ou não: não existe discurso moralmente neutro. Se isso soa estranho, falar de verdade e falsidade de um discurso também está fora de moda.
Há poucos dias Lula negou a existência do mensalão em entrevista a uma TV, dizendo que o episódio foi uma tentativa de golpe ao seu governo. O entrevistador não foi adiante, perguntando o fundamento dessa declaração. Pode-se dizer qualquer coisa no lugar onde as palavras não têm valor. E depois de dizer, o dito não é de quem disse. Para falar sério, não é de ninguém.
*o recado de Benjamin foi dado a Veja, que está à procura do “menino do MEP” (!). Se não fosse o caso do mesalão do DEM no Distrito Federal e se tivesse encontrado o menino, talvez o tema fosse capa da última edição da revista especializada em “escândalos”.

De quem é a culpa! deste “democrata” safado que a alguns anos atrás renunciou ao cargo político para não ser cassado ou do povo do DF que colocou ele de volta no poder…Acho que já acostumaram tanto com o roubo que nem fazem mais questão… quanto ao filme, essa tal de liberdade de expressão vem ultrapassando limites, existem coisas que precisam ser provadas pra depois ser divulgadas. Hoje, as matérias são ventiladas, criam uma polemica, e depois ,desaparecem.
Não sou lulista, mas nesse caso, o César Benjamin está totalmente errado. Em primeiro lugar, ele deve apresentar provas, caso contrário responderá por calúnia, pois a sua acusação é que o Lula teria cometido um crime. Caso seja provado o fato, o MP deve verificar as provas, e, se entender necessário, oferecer denúncia, tem que atentar para o prazo prescricional do crime. Acho isso tudo decorrência do lulismo instalado na sociedade brasileira. O lançamento do filme, nesse hora, não foi oportuna. O nosso presidente faz declarações despropositadas, mas, mesmo assim, ele é melhor do que a oposição. O sistema é todo ele vicioso e deve ser modificado. A primeira modificação deve ser o fim da eleição e a mudança no sistema partidário que deve ser limitado somente a dois ou três partidos.
Errata, onde lê-se “eleição” entende-se “reeleição”.