Uma nossa leitora, muita brava com os absurdos do Planalto (argh!!) enviou o seguinte texto para o blog, e agradecemos:
1. “Nunca antes nesse país” houve na Câmara dos deputados uma votação em tempo recorde! Um dia depois de aprovada no plenário do Senado, suas Excelências gastaram “menos tempo do que o tempo gasto em dizer amém[1]” – e nem era o inferno de Dante! – para votarem a reforma eleitoral.
2. Entre outras mudanças, foram aprovadas as doações “ocultas” aos partidos e candidatos por pessoa jurídica ou física. Doa a quem doer, ninguém fala de onde veio e quem doou o quê para quem; ninguém tem de dizer quem apóia quem. Hum… Será que é medo dos doadores serem perseguidos caso a oposição seja eleita? Talvez, sejam todos bons religiosos e “a mão esquerda não tem que saber o que a direita faz?” Ou será que quase todas elas (as mãos) estão sujas?
3. E por falar em sujeira, imundícia é legítima e constitucional. Afinal, a concessão de registro de candidatura apenas aos candidatos que comprovem idoneidade moral e reputação ilibada não é relevante. Sua Excelência Cândido (PT-SP), disse ser “ridícula” a proposta , e “não pode ser levada a sério”. O que será que ele pensa, então, da proposta do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que propunha tornar inelegível o candidato condenado em primeira instância? Aliás, onde foi parar a folhinha de papel em que estava tal proposta? Será que a “mão invisível” de um alguém qualquer a levou?
4. Ora, ora! Por que falar disso se essas coisas não passam de “pirotecnias sem bases objetivas?” Pirotecnia, sua Excelência Cândido? E os “Vossa Excelência é #@&#*#@”, dito tantas vezes no congresso, são o quê senão fogos de artifícios aos nossos ouvidos?
5. A coisa está preta, sua Excelência Cândido! E vai ficar mais escura dia 29 deste mês, quando mais de um milhão de assinaturas chegarem nas mãos do Congresso Nacional. Sabe o que reivindicam neste abaixo assinado, sua Excelência? Adivinha? Exatamente aquilo que vossas Excelências vetaram: que o candidato a qualquer cargo eleitoral tenha ficha limpa, alva, cândida! Vão dizer “não” a sociedade?
6. E conceitos como “democracia” e “liberdade de expressão” são umas belezinhas, não é? Esses dias eu estava lendo o blog do Planalto – tentando acirradamente encontrar um lugar para depositar a minha opinião, mas só enxergava na minha frente as opções “imprima”, “envie para”, “gostou?” (essa era a melhor!!!) , ou “post sobre isso no seu blog” – e me assustei ao ouvir uma voz pertinente, voraz, incisiva, gritando palavras de ordem. Por um instante, jurei ouvir minha mãe brigar comigo; era como se eu regressasse aos tempos de infância. Mas, o que era? Era a “grande mãe” a falar sobre o PAC. Ufa! Foi apenas uma digressão da minha memória afetiva. Eram, tão somente, traumas latentes do meu complexo de Édipo sinalizando que o meu pobre inconsciente projeta aspectos mal resolvidos da minha infância nas assombrações reais da realidade que me cerca. Acho que “nunca antes nesse país” eu precisei tanto, como agora, regressar ao seio do meu analista (freudiano, não?) denominado “divã”. Alguém tem de ser o culpado: ou meu pai ou minha mãe!
[1] Alighieri, Dante, A divina comédia, cantoXVIII, § 73.

Pois é… dessas “mãos invisíveis” o Presidente entende. Sempre enxerga… ora são “povo”… ora do “mercado”… buuuu