Cinema Paradiso é um daqueles filmes que não podemos ver uma só vez, pois aquilo que encanta não se pode desviar o olhar. O filme conta a trajetória de Salvatore – papel realizado por Jacques Perrin –, cineasta bem sucedido em Roma. O grande Salvatore recebe a notícia da morte de Alfredo – papel realizado por Philippe Noiret – e, a partir deste fato, depois de 30 anos, já famoso e reconhecido em toda Itália, volta para sua cidade natal: um pequeno vilarejo da Itália. Mas antes da sua chegada, aturdido pela notícia, Salvatore pensa toda sua estória.
Na pequena cidade a grande diversão era o cinema. Os lugares na sala eram disputadíssimos. Alfredo era quem projetava os filmes através de uma máquina tão velha que ninguém na cidade saberia realizar tal atividade, salvo Salvatore, ou melhor, o querido Totó. Menino inteligente e encantado pelo cinema, sempre acompanhava o trabalho de Alfredo na sala de projeção, de modo que sua perspicaz observação o capacitou para realizar o trabalho de Alfredo. Depois de um grande incêndio no cinema Alfredo é resgatado por Totó e, depois, substitui Alfredo na sala de projeção. Alfredo, cego pelo acidente, era como um pai para Totó – este perdera o pai na guerra. O tempo passa e Totó se apaixona por Elena, filha de um banqueiro: o jovem vive todos os encantos e dramas do amor: a graça, o esplendor, a delicadeza, o indescritível, mas também a angústia, a dor, a perda e o sofrimento de um caso frustrado. Triste e inconsolável, o jovem Salvatore, impelido por Alfredo, vai para Roma, onde constrói sua carreira de sucesso. Importante perceber que este filme escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore mostra como o cinema mudou com o advento da televisão e os vídeos cassetes. A alegria, o choro, o riso e o deslumbramento do público fora encarcerado nas salas residenciais dos indivíduos. E o Cinema Paradiso? Tudo mudou, tudo passou. O grande Salvatore, ao chegar ao vilarejo, é recebido pelo olhar amoroso que toda cidade tinha pelo querido “Totó”.
Vencedor do Oscar no ano de 1990 (E.U.A) na categoria de melhor filme estrangeiro, Cinema Paradiso é um filme que toca o coração e mostra que o tempo é, muitas vezes, a dissolução de todos os projetos humanos.
Andrei Martins

Um filme cujo enredo aborda a amizade e a inocência, o cuidado com o ser humano, a perda e a ausência por ela causada, as escolhas de como lidar com o Passado, levando quem o assiste a refletir e, inevitavelmente, emocionar-se.
Independentemente de onde estejamos, quando assistimos esta obra de Tornatore, somos carregados para dentro da história com uma força tão grande que o nosso entorno é transformado no pequeno vilarejo de Giancaldo.
É um filme inesquecível, delicado e profundo…