Todos os porquinhos são muito interessantes, pois são inteligentes porém excessivamente comilões, o que dá a idéia de certa lerdeza. Talvez não a tenham. Mas, quando se trata de um porquinho míope tudo fica mais difícil. Pois este porquinho de que falo era míope, comilão, inteligente e … lerdo para perceber as coisas, pois não as via com clareza.
O que havia de gritante em seu caráter era o amor por si mesmo, o quanto tinha certeza de sua inteligência e qualidades outras, e não queria passar a idéia de que não fosse o melhor em tudo, então, aproveitava qualquer oportunidade para se fazer brilhante e cintilar no seu clã. Exagerava, é claro, nos seus arroubos e certezas, no entanto, como todos sabiam que era míope, também deduziam que ele não percebia que todos percebiam esse seu esforço (se fui clara).
Certo dia de verão, não só a fome mas a sede perturbava o porquinho em grau extremo, porque o calor o fazia suar e o suor cobria suas poucas pálpebras. Sua visão estava muito defasada. E foi assim que avançou para uma cunha de comida apetitosa, e empurrando os outros devorou-a num instante. Não demorou apara que a dor de barriga viesse, dura, sofrida.
-Mas porquinho, v não viu que essa cunha tinha carvão? Nosso dono reservou para a fogueira do dia dos santos…
-Ahn, ai! carvão? Como assim, eu vi feijão!
-Porquinho, sua ganância é muito grande. Por que não perguntou aos outros amigos?
-Perguntar? Eu? Para quê? Sei de muita coisa que vocês não sabem… foi apenas um pequeno erro… ai !ahn… vai passar…
- Mas v sofre, porquinho… ouça os outros também…
Mas o porquinho gritava, quero dizer, guinchava, e nada entrava nos seus ouvidos que, aliás, estando doente ou não, encontravam-se tapados para o saber dos demais.
Moral da História: Não atices a soberba que a burrice aparece.
R. Gazolla

é impressionante o quanto se encontra de pessoas como esse porquinho miope, e o pior de tudo cheio de soberbas…