Ingmar Bergman – Persona

Ingmar Bergman - Persona

Ingmar Bergman - Persona

Podemos entender o que realmente somos,  e o que somos com os outros, como uma luta? É possível ser a mesma pessoa o tempo todo? Persona mostra uma imagem do quanto é possível expor uma pessoa a outra e uma possível conseqüência dessa exposição.  Primeiras cenas: uma atriz em encenação de Electra pára de falar e assim continua por três meses, até conhecer a enfermeira Alma. Apesar de, sob uma primeira impressão, Alma ter percebido um olhar maligno em Elisabet Vogler, a atriz, sua admiração pela arte e a ocasião oportuna fizeram-na ver na paciente silenciosa a espectadora de si mesma, uma espécie de seu espelho em “monólogo” de segredos íntimos. A relação das duas protagonistas é preenchida com lágrimas, sorrisos e sangue como “duas crianças ansiosas cheias de boa vontade e boas intenções, mas governadas por poderes que são controlados parcialmente”. Saindo da enfermaria e encenando numa paisagem natural à beira mar, sozinhas em uma casa, continuarão encenando ou construirão uma relação visceral, na qual os papéis de enfermeira e paciente terminam ou se tornam vitais.
Nesse drama Bergman percorre o interior da psique em contato com o exterior e sua factualidade ( há fatos?); leva-nos na relação com o outro a atitudes extremas de amor, ódio, silêncio, pudor… mas qual é a verdade de uma relação. Qual a verdade do outro? O que sou eu, afinal: Minha memória, o que espelho no outro?

Por mais difícil que seja assistir aos filmes de Bergman – e Persona é parte de uma trilogia que pontua a questão do silêncio -, eles são atemporais. Vale ver de novo.

Ricardo Freitas

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