O que é “sistema de ensino”?

estudante7la

Cada bolinha colorida da árvore de natal parece estar no lugar dos “presentes” que receberemos em 2010: IPVA, IPTU, seguro do automóvel, plano de saúde, além dos descontos no contracheque como o INSS, imposto de renda e outras coisas do gênero. Nesse aspecto continuaremos tão ou mais brasileiros do que fomos neste ano. (Seguindo a última declaração do nosso presidente em rede nacional, teremos um ano ainda melhor (!), o que nos autoriza a gastar mais.)

Também temos aqueles  que se preocupam em matricular o filho num bom colégio particular. Os centros de educação, cada vez mais profissionalizados, são ágeis nas propagandas e nos informes, sobretudo em persuadir os clientes (ou futuros) de que possuem o melhor ensino. Para isso, exibem o seu “sistema de ensino”, nunca explicando o que significa isso. Quer dizer, na maioria das vezes o “sistema” não é da escola, mas foi comprado de outra.

Não sei ao certo quando começou essa onda de “sistemas de ensino” tais como Positivo, Etapa, Universitário, Anglo, Objetivo entre outros, que provavelmente tiveram sucesso no lugar onde floresceram. Daí serem eles também útil a outras escolas é o que não dá para compreender. E está mesmo se tornando uma regra, como se apostilas e livros garantam, por si só, o êxito pedagógico da escola. Pior ainda é perceber que a orientação desse material é voltada à pedagogia do quanto mais conteúdo melhor, cuja finalidade é preparar o aluno para os vestibulares mais concorridos do país.

Uma escola que não pensa seu material, é uma escola que não produziu nada: trata-se de uma terceirização daquilo que devia marcar a sua diferença em relação a outras escolas. É verdade que não se pode reinventar a roda, deve-se levar em conta o que já se fez. Mas vamos concordar que qualquer  professor preparado, seguindo a razão de ser de um centro de ensino – cada um deve ter a sua -, é capaz de elaborar um plano de aula. Nada de apostilas. Se os pais têm condições de comprar livros, não há motivo para se gastar tanto por resumos de obras. Além disso, não dá para entender como se ergue uma escola sem uma biblioteca decente.

Por último, seria importante que os pais procurassem se informar sobre a formação do quadro docente e o quanto se investe neles (salário, condições de trabalho, especialização etc.). Entendam bem: não para os alunos, em posse desses dados, achincalharem os mestres, mas para exigir que a escola trate com dignidade aqueles que ensinam, o que, por sua vez, tem a ver com o tratamento dado ao aluno.